ESPECIALIZAÇÃO MÉDICA SUÍÇA: ZURIQUE, MAIORCA, LONDRES, NOVA IORQUE

7 Minutos

Clinicamente editado e revisado por THE BALANCE Esquadrão
Fato verificado

A ansiedade em crianças é um problema de saúde cujos dados epidemiológicos apontam para uma prevalência de 20,5%, tendo esta cifra praticamente duplicado (Racine et al., 2021) durante a pandemia de Covid-19.

A ansiedade em crianças

A ansiedade em crianças manifesta-se de diferentes modos ao longo do desenvolvimento. De resto, as manifestações de ansiedade na infância são em grande parte benignas e normativas, tal como afirmam Beesdo et al. (2009). De acordo com os autores, os medos que podem provocar sintomas de ansiedade normativa em idades pediátricas são:

  • Na primeira infância (até aos 6 meses), medo da perda de contacto físico com os cuidadores e medo de estímulos sensoriais externos exuberantes ou súbitos;
  • Entre os 6 e os 8 meses, o medo da presença de pessoas estranhas;
  • Entre os 12 e os 18 meses, o medo do afastamento dos cuidadores;
  • Entre os 2 e os 3 anos, medos de elementos do ambiente externo, como as trovoadas, o fogo, a água e a escuridão; do ambiente interno, como os pesadelos; e ainda medo de animais;
  • Entre os 4 e os 5 anos, é normativo ter medo da morte ou de pessoas já falecidas;
  • Entre os 5 e os 7 anos, medos específicos (como animais, monstros, fantasmas), medos de germes e doenças, medos de desastres naturais ou de acidentes e medo da escola relacionado sobretudo com o desempenho escolar;
  • Entre os 12 e os 18 anos, medos relacionados com as interações sociais com os pares e medos de rejeição.
  • Entre os 5 e os 7 anos, medos específicos (como animais, monstros, fantasmas), medos de germes e doenças, medos de desastres naturais ou de acidentes e medo da escola relacionado sobretudo com o desempenho escolar;
  • Entre os 12 e os 18 anos, medos relacionados com as interações sociais com os pares e medos de rejeição.

Sendo certo que as diferentes faixas etárias e etapas de desenvolvimento físico e cognitivo apresentam medos típicos causadores de ansiedade normativa, os sintomas evidenciados ao longo do crescimento podem despoletar o surgimento de perturbações de ansiedade, caso se mantenham persistentes e sem adequada resolução por parte dos cuidadores ou profissionais de saúde.

De entre os sintomas de natureza psicopatológica da perturbação de ansiedade, apresentam-se como mais comuns os seguintes sintomas:

  • Entre os 12 e os 18 meses manifestam-se as perturbações do sono, com insónias, pesadelos e ataques de pânico noturnos, bem como os primeiros comportamentos opositivos.
  • Entre os 2 e os 3 anos e até aos 7/8 anos, tornam-se comuns sintomas de desconforto psicológico como o choro, a excessiva dependência, a procura de contacto físico e proteção, os terrores noturnos e a enurese. Já na idade escolar, a timidez face a estranhos e a vergonha dos pares são também sintomas habituais;
  • Na adolescência, as ideias de medo face ao modo como se é avaliado pelos pares são os sintomas psicopatológicos de ansiedade mais comuns.

De entre os sintomas físicos de ansiedade infantil, são mais comuns a perda de apetite, as dores de barriga, as dores de cabeça e o cansaço.

Os sintomas físicos e comportamentais ou psicopatológicos podem também distinguir-se de acordo com o tipo de perturbação de ansiedade sentida:

Sintomas na Perturbação de Ansiedade de Separação:

  • Medo continuado do que possa acontecer aos pais ou cuidadores;
  • Recusa escolar;
  • Queixas físicas frequentes, como dores de barriga;
  • Preocupação por dormir fora de casa;
  • Dependência;
  • Birras ou pânico quando separados dos pais;
  • Alterações do sono, como pesadelos e terrores noturnos.

Sintomas nos Transtornos Fóbicos Específicos:

  • Medo extremo de alguma coisa ou situação que se arraste por mais de 6 meses;
  • A exposição à fobia implica sofrimento físico:
  • Ritmo cardíaco acelerado;
  • Sudorese excessiva;
  • Tremores;
  • Sensação de engasgamento;
  • Perturbações gastrointestinais.

Sintomas na Perturbação de Ansiedade Social:

  • Medo de conhecer ou de falar com pessoas;
  • Evitamento de situações de convívio social;
  • Poucas amizades externas à família.

Numa crise de ansiedade infantil, os sintomas podem manifestar-se de modo mais exuberante e imediato, nomeadamente um medo intenso e inesperado, associado a ritmo cardíaco acelerado, dificuldades respiratórias, tonturas, tremores e sudorese.

Quando uma criança ou jovem sofre uma ou mais crises de ansiedade, tal pode bem significar que a perturbação de ansiedade se encontra já francamente instalada, sendo que a crise de ansiedade é a manifestação mais evidente dos sintomas experienciados anteriormente.

Há atividades que podem ser desenvolvidas em casa e cujos efeitos são tanto melhores quanto mais elas forem percebidas pelas crianças como atividades lúdicas.

Construir um kit para acalmar

Um kit para acalmar reúne um conjunto de objetos de conforto para a criança, como por exemplo um peluche preferido, fotos, o brinquedo preferido ou outros objetos com significado para a criança. Estes objetos devem ser reunidos numa caixa que poderá ser transportada sempre que se antecipe a exposição da criança a fatores desencadeadores de ansiedade.

Exercício físico

A atividade física proporciona oportunidades de diversão, socialização, alcance de objetivos e desenvolvimento de relações. Os benefícios da sua prática regular são ampliados quando é iniciada numa idade precoce (Romero-Pérez et al., 2020)

Yoga

O yoga possui efeitos notáveis no tratamento da ansiedade em crianças (James-Palmer et al., 2020). A respiração rítmica e o sossegar da mente através de meditação reduzem eficazmente os níveis de estresse.

Mindfulness

O mindfulness é um tipo de meditação que permite concentrar-se de modo intensamente consciente do que se está a sentir. Envolve prestar atenção à respiração e imagens guiadas de modo a relaxar o corpo e a mente, reduzindo significativamente o estresse e associado a melhorias nos comportamentos de ansiedade e atenção (Kennedy et al., 2022).

Os tratamentos mais amplamente estudados para a ansiedade infantil são os tratamentos de terapia cognitivo-comportamental (TCC) e os tratamentos com fármacos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). 

No que diz respeito à TCC, Pine et al. (2009) clarificam que o tratamento visa ensinar as crianças ansiosas estratégias cognitivas para colocarem em prática perante as ameaças percebidas, levando depois os pacientes a percorrer um caminho em incrementos de exposição aos fatores desencadeadores, expondo a atenção a ameaças cada vez mais extremas e visando normalizar aquela mesma exposição.

As estratégias para controlar a atenção daqui decorrentes constituem importantes mecanismos de redução da ansiedade. O ensino daquelas estratégias visa educar os pacientes a transferir a sua atenção, alocando os recursos cognitivos às respostas a levar a cabo face à presença das ameaças percebidas. 

Por outro lado, as abordagens cognitivo-comportamentais permitem trabalhar a extinção dos medos por via da exposição e das novas aprendizagens daí resultantes, fazendo uso e rentabilizando da elevada plasticidade neuronal nas idades pediátricas.

Dados da investigação demonstram que a aplicação de abordagens cognitivo-comportamentais baseadas na exposição ao risco resultam em efeitos benéficos de longo prazo nos comportamentos de resposta às ameaças. 

Acresce que o acesso precoce aos tratamentos de base cognitivo-comportamental influencia os resultados na idade adulta, com notória vantagem para a saúde mental dos indivíduos adultos tratados durante a infância e adolescência.

Os tratamentos à base de remédios para ansiedade infantil consistem na administração de fármacos ISRS, cujos benefícios têm sido equiparados aos que resultaram da administração de placebos (Kondro et al., 2004).

Na clínica The Balance em Maiorca, Espanha, acede aos tratamentos mais exclusivos dirigidos à ansiedade infantil. The Balance é o melhor centro de luxo para tratamento de doenças do foro mental, para retiros de bem-estar e saúde, com acesso a vários programas de tratamento.

Beesdo K., Knappe S., Pine D. (2009). Anxiety and anxiety disorders in children and adolescents: developmental issues and implications for DSM-V. Psychiatric Clinics of North America, 2009-09-01, Volume 32, Edição 3, Páginas 483-524

James-Palmer A., Anderson E.Z., Zucker L., Kofman Y., Daneault J.F. (2020). Yoga as an Intervention for the Reduction of Symptoms of Anxiety and Depression in Children and Adolescents: A Systematic Review. Frontiers in Pediatrics. 2020 Mar 13;8:78.

Kennedy M., Mohamed A.Z., Schwenn P., Beaudequin D., Shan Z., Hermens D.F., Lagopoulos J. (2022). The effect of mindfulness training on resting-state networks in pre-adolescent children with sub-clinical anxiety related attention impairments. Brain Imaging and Behavior. 2022 Aug;16(4):1902-1913.

Kondro W., Sibbald B. (2004) Drug company experts advised staff to withhold data about SSRI use in children. Canadian Medical Association Journal. 2004 Mar 2;170(5):783.

Pine D.S., Helfinstein S.M., Bar-Haim Y., Nelson E., Fox N.A. (2009) Challenges in developing novel treatments for childhood disorders: lessons from research on anxiety. Neuropsychopharmacology. 2009 Jan;34(1):213-28.

Racine N., McArthur B. A., Cooke J. E., Eirich R., Zhu J., Madigan S. (2021) Global Prevalence of Depressive and Anxiety Symptoms in Children and Adolescents During COVID-19: A Meta-analysis. JAMA Pediatrics 2021;175(11):1142–1150. 

Romero-Pérez E.M., González-Bernal J.J., Soto-Cámara R., González-Santos J., Tánori-Tapia J.M., Rodríguez-Fernández .P, Jiménez-Barrios M., Márquez S., de Paz J.A. (2020). Influence of a Physical Exercise Program in the Anxiety and Depression in Children with Obesity. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2020 Jun 28;17(13):4655.

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